Mês da Mulher

24 de março de 2025 - segunda

Mês da Mulher: conheça a história de profissionais que estão transformando o sistema de Justiça

Da advocacia à magistratura, mulheres ocupam espaços estratégicos e inspiram novas gerações

Renata Mariz de Oliveira, presidente da AASP; Carla Rahal Benedetti, desembargadora do TJSP; e Luciana Jordão, defensora pública-geral de São Paulo

Uma advocacia majoritariamente masculina ficou no passado e já faz um tempo. Hoje, as mulheres são maioria na profissão: 51% da advocacia paulista é feminina. O movimento tem sido observado em outros espaços do Direito, com cada vez mais mulheres ocupando cadeiras na magistratura, no Ministério Público, na academia e em diferentes carreiras jurídicas.

Porém, os desafios ainda são grandes, como a resistência à ascensão feminina em cargos de liderança e a convivência permanente com episódios de assédio e preconceitos estimulados pelos estereótipos de gênero. Diante de tantas barreiras, algumas mulheres se sobressaem e abrem caminho para as novas gerações de juristas.

Neste Mês da Mulher, o Jornal da Advocacia destaca a trajetória de grandes mulheres do Direito paulista, profissionais que ocupam posições de liderança e contribuem para transformar o mundo jurídico em um ambiente mais plural e equitativo: Renata Castello Branco Mariz de Oliveira, presidente da AASP; Carla Rahal Benedetti, desembargadora do TJSP; e Luciana Jordão, defensora pública-geral do estado de São Paulo. Suas trajetórias são inspiração para milhares de mulheres que buscam espaço e reconhecimento no universo jurídico.

Renata Castello Branco Mariz de Oliveira - Presidente da AASP
Desde pequena, Renata Castello Branco Mariz de Oliveira sabia que seguiria a advocacia. Filha do renomado advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, encontrou sua vocação na advocacia criminal, onde atua há 30 anos. "Eu sou uma pessoa de muita sorte, porque os meus desafios sempre foram pautados com a ajuda e com a segurança das pessoas que caminharam comigo até aqui", revela.

Hoje, como presidente da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo), uma instituição de 82 anos e com 70 mil associados, Renata é a segunda mulher a ocupar o cargo, um marco de representação feminina na associação. "Tenho muito orgulho de ter conseguido chegar à presidência da AASP. Isso me enche de responsabilidade e coragem", afirma.

Sobre os desafios enfrentados ao longo da carreira, Renata destaca a importância da sororidade e da luta coletiva: "Se continuarmos unidas, tentando ajudar umas às outras a alcançar posições de liderança, conseguiremos construir um futuro mais justo e humano".
 

A advogada Renata Mariz de Oliveira, presidente da AASP: “Se continuarmos unidas, conseguiremos construir um futuro mais justo e humano”

Carla Rahal Benedetti - Desembargadora do TJSP
Com mais de três décadas de atuação no Direito Penal, Carla Rahal Benedetti se tornou desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo em 2024, pelo Quinto Constitucional. Sua motivação para ingressar na carreira jurídica surgiu na adolescência, ao ler o livro “A Ira dos Anjos”, de Sidney Sheldon, que retrata a história de uma advogada combativa em defesa dos direitos humanos.

"Desde a minha infância, sempre me interessei pela defesa daqueles que eram de alguma maneira injustiçados", conta. Ao longo de sua trajetória, Carla enfrentou preconceitos e desafios, mas manteve-se fiel a seus valores. "Mesmo diante de adversidades, nunca cedi a sentimentos de raiva ou rancor. A conquista do respeito se dá com respeito", afirma.

Para ela, o grande desafio das mulheres no sistema de Justiça é manter-se firme sem se vitimizar, demonstrando capacidade técnica e emocional. "Que as mulheres lutem pelo que querem, sem desistir, e sigam sempre a bússola da virtude", incentiva.

 

A desembargado Carla Rahal Benedetti: "Que as mulheres lutem pelo que querem, sem desistir, e sigam sempre a bússola da virtude". Foto: TJSP

Luciana Jordão - Defensora Pública-Geral do Estado de São Paulo
Luciana Jordão teve um papel essencial na construção da Defensoria Pública de São Paulo, sendo aprovada no primeiro concurso de ingresso da instituição. Nomeada defensora pública-geral para o biênio 2024-2026, sua chegada ao cargo representou a volta de uma mulher ao comando da entidade após mais de uma década.

"O que me traz mais orgulho é ter participado da construção da Defensoria Pública do zero. Hoje, ela é a maior do país, e saber que contribuí para isso é muito gratificante", diz.

Entre os desafios que as mulheres enfrentam para ocupar posições de liderança, Luciana destaca a necessidade de equilibrar a vida pessoal e profissional, além da luta constante para provar competência e disputar espaços de poder. "Os caminhos para nós são mais estreitos. Mas nunca devemos caminhar sozinhas. Cada vez que uma de nós avança, outras avançam também", reforça.
 

A defensora pública-geral de São Paulo, Luciana Jordão: "Cada vez que uma de nós avança, outras avançam também"

OAB SP: compromisso com a equidade de gênero
Nos últimos anos, a OAB SP tem investido em iniciativas para promover a igualdade de gênero e ampliar a presença feminina em espaços de poder. Entre 2022 e 2024, a Ordem paulista contou com a liderança de Patricia Vanzolini, a primeira mulher eleita para presidir a entidade em 90 anos. Sob esse olhar feminino, a OAB SP implementou políticas de paridade de gênero em diversas frentes, destacando-se como a primeira Secional a adotar essas regras para as indicações ao Quinto Constitucional.

Outras iniciativas incluíram o fortalecimento da Comissão das Mulheres Advogadas, a criação de programas de incentivo à participação feminina em cargos de liderança, como o selo Promove Mulheres Advogadas, e a ampliação de políticas de combate ao assédio e à discriminação de gênero, que culmiram com a criação do canal Advocacia Sem Assédio e da Ouvidoria das Mulheres Advogadas.

As trajetórias de Renata Castello Branco Mariz de Oliveira, Carla Rahal Benedetti e Luciana Jordão reafirmam que as mulheres têm conquistado espaços cada vez mais relevantes no Direito. No entanto, a luta por equidade continua. Com sororidade, perseverança e engajamento institucional, o futuro da advocacia e do sistema de Justiça pode se tornar cada vez mais justo e inclusivo.

 


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